sábado, 14 de fevereiro de 2009

Parabéns, Thomaz

Depois de uma semana, Thomaz Bellucci entrou de vez no time dos tenistas brasileiros que conseguiram destaque no circuito ATP. Com o vice-campeonato na Costa do Sauípe ele se tornou a grande esperança de dias melhores para o nosso tênis.

A sua evolução é impressionante. Em fevereiro de 2007 ele era o 574 do mundo. Um ano depois estreiava em torneios ATP, recebendo um WC para o Brasil Open, onde foi surrado pelo equatoriano Nicolas Lappentti. Nesse momento aparecia em 181º. Esse ano já é Top 100, já venceu dois jogos de Grand Slam e agora já é vice-campeão de ATP. Para o ano que vem aposto que será cabeça-de-chave desse mesmo torneio.

Thomaz foi muito criticado por sua postura no segundo semestre do ano passado, quando foi tentar a sorte nos torneios de quadra rápida. Os resultados não apareceram, mas estar entre os grandes foi salutar para a sua evolução. De cara me lembrei de uma entrevista de Larri Passos para o "Bastidores", gravado no Masters Series de Miami, em 98. Larri reclamava daqueles que queriam que Guga só jogasse no saibro. Guardada as óbvias proporções, é o mesmo que Thomaz sofreu ano passado.

Essa semana Bellucci desabrochou. De cara bateu o italiano Potito Starace, oitavo cabeça de chave. Nas quartas passou pelo ex-número 1 do mundo, Juan Carlos Ferrero. Na final fez belíssima partida contra Tommy Robredo, perdendo na negra.

Só não vamos achar que semana que vem, em Buenos Aires, ele vá repetir a campanha. O normal inclusive é que perca na primeira rodada. Em Acapulco sim, espero mais uma bela semana.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Final de ATP

E não é que Thomaz Bellucci conseguiu chegar na final do Brasil Open. Com isso, além de se afirmar como jogador de nível ATP, o paulista provavelmente vai conseguir dar uma sobrevida ao único evento desse nível do país e, mais do que isso, pode da noite para o dia se tornar o novo ídolo do tênis nacional.

Na final o adversário será o espanhol Tommy Robredo, que entrará como franco favorito. Isso pode ser bom para Thomaz, que, jogando mais solto costuma atuar melhor. Mesmo que perca, por qualquer placar que seja, o brasileiro já pode ficar orgulhoso da bela semana que fez.

Vendo Thomaz jogar tenho muitas esperanças em relação ao seu futuro. Escrevi alguns posts sobre ele que merecem ser relidos agora. aqui, aqui e aqui.

Resumindo, continuo achando Thomaz um bom jogador, atualmente capaz de se manter entre os 50 do mundo. Se melhorar sua performance na quadra dura tem jogo para estar entre os 30 melhores do mundo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Tênis é lazer

Nada me dá mais prazer dentro de uma quadra do que ver um iniciante evoluir. É impressionante como, mesmo fazendo meia-hora de aula, existem alunos que em dois meses já estão trocando bolas do fundo de quadra, executando os golpes básicos com alguma desenvoltura. E isso acontece com adultos ou crianças. Hoje me aconteceu de ficar observando um aluno desse tipo bater bola.

Por outro lado, nada me incomoda mais do que ver uma criança que não tem a menor vontade de jogar tênis fazendo aula por imposição dos pais. Passei por essa situação hoje também.

Sou o primeiro a falar para o responsável que é mais interessante buscar uma outra atividade que a criança se sinta confortável. Sendo mais direto, algo que ela goste de fazer. Não adianta, por mais competente que sejamos, por mais conhecimento que tenhamos sobre fases de aprendizagem e psicomotricidade, nada se compara ao prazer de aprender, de descobrir coisas novas. Se isso não existe, estaremos de mãos atadas.

Cabe então um pedido aos pais. Se a criança não se interessa pelo tênis, vocês podem até tentar (funciona em boa parte das vezes em um primeiro momento). Se a resposta for negativa, não tente forçar a barra. Tenham certeza que alguma outra atividade física vai ser mais lúdica para ela.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Estréias complicadas e uma esperança

Como esperado, as estréias dos brasileiros no Brasil Open foram bastante complicadas. No quali uma excelente surpresa foi aprontada por Daniel Silva, que depois de oito horas dentro de quadra nos três jogos conseguiu uma vaga na chave principal. Outro que se garantiu foi Caio Zampieri que surpreendeu João “Feijão” Souza.

Os espanhóis foram os grandes carrascos dos brasileiros na primeira rodada. Marcel Granollers bateu Flávio Saretta (que pelo menos venceu um set), Tommy Robredo não deu nenhuma chance à Thiago Alves e Nicolas Almagro bateu Ricardo Hocevar, que conseguiu endurecer bastante a partida, tornando válida sua estréia em eventos de primeira linha.

Daniel Silva teve enormes chances contra Nicolas Devilder, chegando a abrir 4/1 no primeiro set, mas acabou derrotado por 7/6; 6/2. Caio Zampieri enfrentou ( e conseguiu perder para) o italiano Fabio Fognini que claramente mostrou que o último lugar que gostaria de estar era dentro da quadra.

Thomaz Bellucci enfrentou o cabeça 8, o italiano Potito Starace. O paulista mostrou que realmente á maior (única) esperança brasileira de ter um tênis top atualmente. Foi bastante agressivo (dessa vez errou dentro da normalidade) e não deu chances para o italiano, vencendo por 6/3; 6/4.

Na segunda rodada uma bela vitória. Ganhar jogando bem é fácil. O grande problema é vencer jogando mal. Hoje, contra o polonês Lukasz Kubot, Thomaz perdeu o primeiro set sem acertar um backhand sequer.

O segundo set foi bom para Bellucci, mas o terceiro set começou muito mal, com o polonês abrindo 4/1. Daí em diante, Thomaz colocou o “coração na ponta da chuteira”, vibrou, chamou a torcida e largou 19 aces, vencendo por 6/4 na negra.
Seu próximo adversário, agora pelas quartas de final, é o ex-número 1 do mundo Juan Carlos Ferrero. Se vencer será a vitória mais importante de sua carreira.

Não se pode dizer que Thomaz será um novo Guga (dificilmente algum brasileiro alcançará o mesmo nível), mas jogando no saibro, pode-se esperar excelentes resultados do brasileiro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Tipos de Quadra, por Flávio, do Esporte Social

Hoje estou abrindo espaço para o Flávio, do blog Esporte Social, que escreve um texto sobre os pisos de quadras de tênis.

Discordo de alguns pontos que ele colocou, mas vou publicar o texto na íntegra para mais a frente contra-argumentar.

Fiquem a vontade para comentar.

"Qual o piso ideal para a prática do Tênis Social?

Com o crescimento do Tênis Social - aquele que não tem comprometimento nenhum com qualquer tipo de competitividade, e sim com a boa forma física e mental além de prover qualidade de vida mediante a recreação - se popularizou muito a abertura de novas escolas de tênis por todo o Brasil porém o país está em uma entre-safra de grandes atletas, e estamos sofrendo com uma "monocultura tenística" nos últimos 20 anos, no qual produzimos muitos atletas de qualidade em um determinado tipo de piso. Mas o que o piso tem haver com o esporte nosso dos finais de semana? E de que forma ele interfere na nossa performance e desenvolvimento técnico, tático e físico?

Ainda dentro desse panorama, temos um quadro no mínimo preocupante que é o fato de que poucos atletas brasileiros que obtém destaque em quadras rápidas, e o que fica como aviso desse pouco aproveitamento brasileiro é como está sendo feito o trabalho de base para as novas gerações, e para os amantes do esporte, e qual maneira possa ser desenvolvida não somente bons jogadores de um determinado piso, mas que seja revelados diversos talentos e todos os pisos; e o que cada tipo de quadra pode ter relação com o desenvolvimento do esporte social em sua aborgadem técnica e física?

Um dos fatores que contribuem para essa monocultura tenística são os tipos de quadras oferecidas pelos clubes pelo Brasil afora. Sem dúvidas o tipo de piso é fator direto para compreender o desenvolvimento em qualquer tipo de piso; negar isso é como admitir que os jogadores de Futsal teriam a mesma performance se a quadra fosse de grama, ou de terra. Eis aqui os princiáis tipos de superfícies e o que cada uma contribuí (ou não) para desenvolvimento da jogabilidade.

Mas vejamos as caractéristicas quanto a jogabilidade para cada tipo de perfil técnico, físico e tático em uma visão do esporte voltado a recreação e o desenvolvimento da saúde através do esporte.

SAIBRO: Este tipo de piso se caracteriza por sua superfície ser composta de pó de tijolo. A principal característica técnica deste piso é que ao quicar da bolinha no chão, a mesma perde muita velocidade mas acaba ganhando em efeito, o que consequentemente acaba tornando o jogo mais lento.

Prós:

- Boa para quem tem bom jogo de fundo de quadra;
- Boa quem está um pouquinho além do peso por exigir menos deslocamento;
- Ótima para desenvolvimento do drive.

Contras:

- Para quem não tem paciência para ficar trocando bolinha;
- Para quem gosta do estilo de jogo saque-voleio;
- Para quem não tem um bom arsenal de spins;
- Para quem não gosta de "surfar no saibro".

CARPETE: Quadra de surpeficíe dura, onde a bolinha obtém uma velocidade muito alta. Boa para quem tem bons reflexos e uma boa capacidade de deslocamento. Técnicamente é a quadra que oferece maior leque de possibilidades técnicas.

Prós:

- Para quem joga no estilo saque-voleio;
- Para quem tem bons saques;
- Para desenvolvimento físico;
- Para treino de devolução;
- Para desenvolvimento técnico-tático com aprimoramento de winners;
- Para aprimoramento do raciocínio tático.

Contras:

- Para quem está com sobre peso, que pode a vir gerar seja lesões por impacto;
- Para quem não tem um arsenal tático definido;
- Para quem não tem uma boa devolução de serviço.

GRAMA: Superfície muito irregular, é constituída de uma espécie de relva que não ultrapassa os 8mm. Devido ao fato de proporcionar menor resistência ao quique da bolinha, a mesma não perde velocidade e vai sempre em uma altura muito baixa da linha de devolução, e que além disso dependendo do quique a direção pode ser mudada drásticamente ,o que proporciona um jogo muito veloz.

Prós:

- Para o estilo de jogo clássico saque-voleio;
- Para detém um serviço muito bom;
- Para quem quer exercitar e desenvolver uma ótima devolução.

Contras:

- Para quem não tem uma boa-ótima devolução;
- Para quem gosta de drives na linha de base;
- Para quem não tem habilidade de subir a rede.
- Para quem não detém uma qualidade de spins no saque.

SINTÉTICA: Quadra de superfície muito veloz, onde o quique da bolinha vem em uma altura muito maior que as outras e de ritmo de jogo é bem veloz. Em grande maioria possuí um leve sistema de amortecimento de impacto devido a diversas camadas internas durante a construção.

Prós:

- Ideal para quem já possuí um desenvolvimento físico;
- Boa para o estilo de jogo saque-voleio;
- Favorece a utilização de recursos técnicos como spin, top spin, slices, etc.

Contras:

- Para quem está fora de forma;
- Para quem não possuí uma boa devolução;
- Para quem não detém de atributos técnicos e variação tática definidas."

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Brasil Open

E o sorteio foi o mais ingrato possível para os brasileiros que jogarão o Brasil Open a partir de amanhã. Marcos Daniel e Thomaz Bellucci tinham vagas garantidas na chave principal. Thiago Alves, Ricardo Hocevar e Flávio Saretta receberam convite da organização. Antes mesmo de começar o quali, Marcos Daniel desistiu da disputa, alegando dores no braço direito.

Os outros brasileiros pegaram as maiores pedreiras possíveis. Ricardo Hocevar, que estréia em ATP's encara Nicolas Almagro, cabeça 1, 17 do mundo e atual campeão. Thiago Alves está do outro lado da chave, enfrentando o cabeça 2, Tommy Robredo. Flávio Saretta joga contra Marcel Granollers, cabeça 5 e finalmente Thomaz Bellucci terá pela frente o cabeça 8, Potito Starace.

O que esperar do torneio?

Primeiro que João Souza, o Feijão, fure o quali. Depois que alguém apronte uma surpresa. Bellucci é o mais provável. Se em Viña del Mar perdeu um jogo de 50% de chances contra Jose Acasuso, agora tem mais um jogo difícil mas não impossível. E mais uma vez, com uma vitória poderá ter a chave aberta pela frente.

Dos outros espero apenas muito espírito de luta. Para Hocevar a chance da maior vitória da carreira. Para Alves um jogo para lá de encardido contra um dos maiores catimbeiros do circuito (coisa que Alves também é). E para Saretta uma participação digna.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Especificidade

Dia desses, lá na comunidade Tênis Brasil, surgiu uma discussão sobre especificidade, onde um membro afirmava que nadar estava melhorando o condicionamento físico em suas partidas de tênis.

Vale ressaltar que o tênis, o futebol, o vôlei, o ciclismo e por aí vai, não são influenciados em termos de ganhos aeróbicos por treinamentos de natação. Não existe essa transferência entre os meios.

Assim como de nada vai adiantar aquele treinamento que víamos antigamente, de correr em ladeira, subir em arquibancadas e coisas do gênero.

O primeiro passo para um treinamento eficiente é conseguir diagnosticar que tipo de ação é realizada na atividade. No tênis, por exemplo, são estímulos curtos e de grande potência, visto que temos que pouquíssimo tempo para perceber que uma bola vai curta e corrermos até ela, nos recuperando logo depois.

Por outro lado, temos momentos de descanso entre os pontos. Sendo assim, não é necessário ter o treinamento contínuo de um maratonista, por exemplo, apesar de algumas vezes os jogos durarem 3, 4 horas, mas são com esforço intermitente.