domingo, 8 de fevereiro de 2009

Brasil Open

E o sorteio foi o mais ingrato possível para os brasileiros que jogarão o Brasil Open a partir de amanhã. Marcos Daniel e Thomaz Bellucci tinham vagas garantidas na chave principal. Thiago Alves, Ricardo Hocevar e Flávio Saretta receberam convite da organização. Antes mesmo de começar o quali, Marcos Daniel desistiu da disputa, alegando dores no braço direito.

Os outros brasileiros pegaram as maiores pedreiras possíveis. Ricardo Hocevar, que estréia em ATP's encara Nicolas Almagro, cabeça 1, 17 do mundo e atual campeão. Thiago Alves está do outro lado da chave, enfrentando o cabeça 2, Tommy Robredo. Flávio Saretta joga contra Marcel Granollers, cabeça 5 e finalmente Thomaz Bellucci terá pela frente o cabeça 8, Potito Starace.

O que esperar do torneio?

Primeiro que João Souza, o Feijão, fure o quali. Depois que alguém apronte uma surpresa. Bellucci é o mais provável. Se em Viña del Mar perdeu um jogo de 50% de chances contra Jose Acasuso, agora tem mais um jogo difícil mas não impossível. E mais uma vez, com uma vitória poderá ter a chave aberta pela frente.

Dos outros espero apenas muito espírito de luta. Para Hocevar a chance da maior vitória da carreira. Para Alves um jogo para lá de encardido contra um dos maiores catimbeiros do circuito (coisa que Alves também é). E para Saretta uma participação digna.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Especificidade

Dia desses, lá na comunidade Tênis Brasil, surgiu uma discussão sobre especificidade, onde um membro afirmava que nadar estava melhorando o condicionamento físico em suas partidas de tênis.

Vale ressaltar que o tênis, o futebol, o vôlei, o ciclismo e por aí vai, não são influenciados em termos de ganhos aeróbicos por treinamentos de natação. Não existe essa transferência entre os meios.

Assim como de nada vai adiantar aquele treinamento que víamos antigamente, de correr em ladeira, subir em arquibancadas e coisas do gênero.

O primeiro passo para um treinamento eficiente é conseguir diagnosticar que tipo de ação é realizada na atividade. No tênis, por exemplo, são estímulos curtos e de grande potência, visto que temos que pouquíssimo tempo para perceber que uma bola vai curta e corrermos até ela, nos recuperando logo depois.

Por outro lado, temos momentos de descanso entre os pontos. Sendo assim, não é necessário ter o treinamento contínuo de um maratonista, por exemplo, apesar de algumas vezes os jogos durarem 3, 4 horas, mas são com esforço intermitente.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Jogos para sempre

Uma das séries mais interessantes sobre esportes que vejo nos dias atuais é o "Jogos para sempre" do Sportv, onde conta-se a história de um jogo que marcou época. Pensando nisso imaginei como seria transportar isso para o tênis. Quais os grandes jogos que marcaram os grandes jogadores?

Começaria com o maior jogo da carreira de Gustavo Kuerten. A semifinal da Masters Cup de 2000, contra Pete Sampras, em Lisboa, na única oportunidade que Guga conseguiu vencer o norte-americano. Os último game da partida é algo épico, para ver e rever.

Ainda com Guga eu lembraria da terceira rodada do US Open de 2001, contra o bielo-russo Max Mirnyi, onde conseguiu virar uma partida que perdia por 2 sets a 0 e foi jogada madrugada adentro e da final de Roland Garros em 2000, quando precisou de 11 match-points para bater o sueco Magnus Norman.

Já de Fernando Meligeni cabe um programa sobre a final dos jogos pan-americanos de 2003, em Santo Domingo, onde após salvar alguns match-points, conseguiu virar uma partida perdida contra o chileno Marcelo Ríos e se aposentar com a medalha de ouro.

E dos tenistas atuais? De Roger Federer poderíamos escolher entre as finais de Wimbledon 2007 e Hamburgo, também em 2007, ambas contra Rafael Nadal ou ainda na Masters Cup de 2003, na fase classificatória contra o norte-americano Andre Agassi ou no ano seguinte contra o russo Marat Safin, quando ganhou um tie-break por 20/18. Safin venceu o suíço em um jogo épico nas semifinais do Australian Open de 2005, por 9/7 no quinto set.

Rafael Nadal certamente teria como sua partida favorita a final de Wimbledon em 2008, onde conseguiu bater o suíço Roger Federer em seu templo. Ainda contra seu maior rival tem a final de Roma em 2006 onde salvou match-point no quinto set.

E para vocês, quais jogos seriam para sempre?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Colônia de Férias

Obviamente na colônia de férias da minha empresa não pode faltar uma introdução ao tênis. Nas duas semanas que passei praticamente o dia todo com as crianças, podemos perceber o que elas estão gostando ou não.

Em todos os dias, assim que elas chegavam, era certo de perguntarem se ia ter piscina. A segunda atividade mais requisitada era o tênis.

O grupo mais novo, entre 3 e 7 anos, apesar da óbvia dificuldade de acertar a bola, se divertia com exercícios de introdução ao tênis, tais como quicar a bola, jogá-la para o alto e retomar, lançar para um amiguinho, etc. No final, 90% deles conseguia devolver as bolinhas lançadas, executando algo tipo um "smash"

Já os mais velhos, entre 8 e 12 anos, já conseguiam, em sua maioria, bater na bolinha após ela quicar e, em alguns momentos, até conseguiam trocar algumas bolas.

Independente do que cada um conseguiu executar, o mais importante foi ter plantado uma semente em cerca de 45 crianças que, quem sabe, algum dia possam se tornar praticante do tênis.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Novos colunistas

Aos poucos o blog vai crescendo. Quando criei, meu objetivo era ter um caminho para expor minhas opiniões e fazer análises sobre tênis. Só que cada dia mais a coisa foi tomando uma proporção maior do que eu imaginava e sinceramente em alguns momentos não tenho tempo para manter atualizado.

Sendo assim convidei algumas pessoas para me ajudar nessa missão. Os dois primeiros que estão adicionados como colaboradores são o Fabrizio Tivolli, da Tivolli Sports, encordoador oficial do Brasil Open e que vai estar aqui falando de equipamentos.

A outra colaboradora é a Lays Guerrero, publicitária que está estudando jornalismo. A maioria dos seus textos serão do circuito WTA.

Outra novidade é o Google Adsense, propaganda do Google para gerar receita. Pensando um pouco a frente, quem sabe conseguiremos criar um domínio próprio? Portanto, se alguém quiser ajudar pode se sentir a vontade.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Gira sul-americana

Mal saímos da Oceania, onde o Australian Open, como faz todos os anos, proporcionou excelentes partidas de tênis e o circuito da ATP já está dividido pelo planeta. Na América do sul ele só aparece por três semanas na temporada. Essa e as duas próximas.

Hoje começou o ATP de Viña Del Mar, no Chile, com a participação de Thomaz Bellucci e Marcos Daniel, que já foi eliminado, logo na estréia, pelo encardido italiano Potito Starace por duplo 6/4.

Não acho que podemos esperar muito de Daniel esse ano. Os challenger’s (seu ganha-pão) perderam importância e seu jogo é um pouco abaixo do nível ATP, mesmo no saibro. O sorteio das chaves e a escolha do calendário é cada vez mais importante para o gaúcho.

Bellucci por sua vez estréia contra um argentino, Juan Pablo Brzezicki, jogador de challenger’s que veio do quali. Avançando terá um jogo bastante complicado contra Jose Acasuso, quarto cabeça de chave. Torço muito para o paulista, pois essas quatro próximas semanas serão decisivas para seu 2009.

Thomaz ainda joga duplas com Martin “Segundo Saque” Vassallo-Arguello, sendo o único brasileiro nessa chave.

Thiago Alves está na África do Sul e não deu sorte no sorteio do ATP local, encarando o cabeça 1, Jo Wilfred-Tsonga.

PS: O “Segundo Saque” é o site de Arguello, muito famoso no mundo do tênis.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O melhor do mundo

Não vou falar hoje sobre o resultado da final masculina do Australian Open. Isso com certeza todos que aqui estão já sabem. Vou tentar buscar os motivos para tal resultado. Mas antes, tenho que lamentar o comportamento dos fãs xiitas que estão frequentando nossas comunidades de tênis no orkut. Caramba, depois do exemplo de civilidade (e por que não dizer amizade) que Rafael Nadal e Roger Federer apresentaram na premiação do Grand Slam australiano será que ainda cabe fãs de um quererem discutir com fãs de outros? Essa é a rivalidade mais saudável do esporte (não só do tênis) no século XXI.

E qual o motivo de Nadal ser o atual número um do mundo e derrotar pela quinta vez consecutiva seu maior rival?

Vamos tentar listar por tópicos as diferenças e características de cada um na partida de hoje.

Técnica - Federer é muito superior a Nadal. O suíço joga sem fazer força, enquanto Nadal necessita muito do físico para jogar. No entanto, vale ressaltar, que o espanhol evoluiu muito, principalmente de um ano para cá. Já acelera muito mais as bolas, mata os pontos que ela quica curta e principalmente, tem conseguido excelentes ângulos com seu backhand. Não basta a técnica para fazer Federer vencer.

Movimentação - Nadal é o melhor do mundo, talvez (muito provavelmente) de todos os tempos. E vinha usando isso a seu favor em todos os encontros contra Federer. Só que o suíço mostrou que em 2009 seu footwork melhorou demais. Tanto que hoje conseguiu excelentes pontos não só contra-atacando com passadas de esquerda com o punho, mas chegando em bolas que antes não chegava.

Tática - Na minha opinião é aí que Roger Federer poderia vencer mais vezes Rafael Nadal. A variedade de golpes do suíço é superior a do espanhol. Um de seus melhores golpes é o slice de esquerda, que incomoda bastante não só o espanhol quanto qualquer jogador que utilize uma empunhadura extrema como Nadal.

No jogo de hoje Federer decidiu que iria mais à rede (decisão acertada), colocando Nadal sob pressão em boa parte da partida e que iria atacar o backhand do espanhol. Esse foi seu maior erro, mas é perfeitamente justificável.

Nadal tem o forehand mais pesado do circuito, seu topspin incomoda todos que o enfrentam, o que o coloca em posição favorável manter seus adversários na defensiva. Já no backhand, apesar da bola subir, ela aparenta ser mais leve. Isso no entanto já não é mais uma grande desvantagem, visto que, como coloquei lá em cima, ele está conseguindo belos ângulos com sua "esquerda".

No US Open, Andy Murray conseguiu vencer Nadal fazendo ele bater tantos forehands quanto backhands. Por mais que o espanhil se desloque muito bem em quadra, é fato que ele não está acostumado a defender dos dois lados. Na partida de hoje, os melhores momentos de Federer foram quando conseguiu jogar o espanhol de um lado para o outro, terminando com uma aproximação à rede.

Bem, resumindo é isso. Acho Federer tecnicamente jogador, mas dentro da quadra Nadal já mostrou ser mais inteligente. Para o futuro não sei se o suíço tem disposição para mudar esse quadro, mas hoje o espanhol é o melhor do mundo.