quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Comunidades no orkut

Hoje vamos deixar de falar do tênis dentro das quadras e vamos falar de vocês, público que acompanha o tênis. Muito da inspiração para fazer esse blog veio das leituras diárias de comunidades do esporte no Orkut.

Atualmente freqüento todos os dias três delas, cada uma com público, ponto de vista e profundidade das discussões diferentes, mas todas elas exercendo importante papel para o desenvolvimento do tênis no país.

A maior delas é a Tênis Brasil, porta de entrada de qualquer brasileiro que procure por tênis no Orkut. Nela encontramos desde quem nunca pegou numa raquete e está começando a se interessar por tênis, a garotada que quer aprender, os mais fanáticos torcedores e um pessoal bastante especializado. Percebe-se nela que o maior interesse é por instrução de como jogar, qual o material adequado e por aí vai.

A segunda comunidade que freqüento é a Fúria Tennis, que já foi Fúria Verde e Amarela. O fundador dela é o Bruno, que conseguiu reunir uma garotada que formou a primeira e acho que única torcida brasileira de tênis. É impressionante como o pessoal consegue acompanhar todo e qualquer tenista brasileiro em qualquer parte do mundo.

Quando quero achar um live score de algum jogo ou informação atualizada de evolução de ranking no meio da semana, nem penso onde procurar. O pessoal da Fúria sempre tem isso pronto para divulgar.

Óbvio que essa torcida exagerada muitas vezes beira a paixão futebolística, o que é ruim, pois gera reações de amor e ódio, mas quando (vejam que não falei se) o blog crescer ainda mais e nós precisarmos de ajuda com busca de resultados de brasileiros, obviamente essa galera é que vai ser convidada a ajudar.

Por último mas não menos importante, a Tennis Masters. A comunidade criada e gerenciada pelo Ruy Viotti Filho (sim, filho do grande Ruy Viotti), reúne o que de melhor temos do tênis nacional. Por lá, dificilmente vai ter alguém que não joga (bem) e escreve (bem também).

Não é uma comunidade de muitos tópicos (geralmente um por semana), mas de opiniões bastante interessantes. Obviamente, para manter esse nível o Ruy tem que moderá-la. É um grupo de pessoas que eu realmente gostaria de ter aqui no blog escrevendo para vocês.

Já as comunidades de jogadores não me enchem os olhos. Digo isso pois geralmente os membros são muito mais fanáticos do que a média, o que distorce um pouco a discussão.

E vocês, qual(is) comunidades de tênis freqüentam?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Saque - altura da bola

Hoje, na segunda parte do nosso texto sobre o saque, vamos falar da altura do lançamento, ou “toss”. O ponto de contato com a bola deve ser sempre o mesmo, mas a forma de se alcançar isso pode variar bastante.

O ponto de contato com a bola deve ser executado o mais alto possível, de forma a aumentar o intervalo angular com que a bola pode sair da raquete, vencer a rede e cair dentro do quadrado de saque. Para entender melhor isso, temos que voltar para as aulas de física do segundo grau, em lançamento oblíquo, quando tínhamos que calcular o ângulo de lançamento e a força para atingir uma certa distância. É exatamente o que ocorre com o saque.

Se o ponto de contato é fixo, o mesmo não se pode dizer da altura do lançamento. Existem três formas, todas corretas, de se fazer o contato com a bola. Na subida, com ela parada ou na descida.

Observando os jogadores profissionais percebe-se que a maioria prefere golpear a bola na descida, mas existem exceções a regra. Flávio Saretta, por exemplo, é um que gosta de bater com a bola ainda subindo, como podemos ver nesse vídeo clássico. Reparem na câmera lenta o contato com a bolinha.

http://www.youtube.com/watch?v=flC9xsOn-Ec



E vocês, lançam a bola a que altura?

domingo, 5 de outubro de 2008

[Test Drive] Wilson nBlade MidPlus

Como muitos aqui já sabem, eu uso uma 6.1 q tem me feito mal ao cotovelo.

Buscando opções caiu uma nBlade na minha mão. Gostei muito da raquete.

É uma raquete pra jogadores avançados, com peso ligeiramente no cabo. Alguns mais desavisados confundem-a com uma raquete equilibrada. Ela dá controle as bolas, sendo necessário um bom swing para gerar aceleração. Não é indicada para quem precisa de "ajuda" da raquete pra fazer a bola andar.

Apesar de ser uma raquete 18x20, é muito fácil gerar spin com ela. Meus alunos ficaram impressionados como minha bola estava com spin, visto q estão acostumados com minha bola chapada. E isso sem fazer nenhum esforço. Aliás, tive sim q fazer esforço pra manter ela plana.

Tive no início uma certa dificuldade com mau backhand de uma mão, mas parece q não vai ser difícil corrigir não.

Muito agradável de se jogar na rede, me deu muita segurança no voleio, que é meu golpe mais deficiente. Tornou-se até agradável de subir a rede.

Meu primeiro saque perdeu um pouco de controle com ela, passei a errar uns 20% a mais, principalmente pre fora. Em compensação o american twist entra com uma facilidade absurda. Nem me deixa ficar chateado com o erro de primeiro saque.

O sweetspot dela é normal para uma raquete desse nível. Para jogadores não-avançados é difícil encontrá-lo, para os avançados não existem grandes problemas.

Maior ponto positivo - Facilidade de gerar spin, mesmo sendo 18x20.

Maior ponto negativo - Um pouco menos de controle do q a 6.1, principalmente na esquerda, para mim.

sábado, 4 de outubro de 2008

Marcos Daniel

Marcos Daniel conquistou semana passada pela quinta vez um torneio Challenger em Bogotá, na Colômbia. O brasileiro tem um desempenho impressionante no país, onde na semana anterior conquistou também o challenger de Cali.

A história de Marcos Daniel é bastante interessante. Ele é contemporâneo de Gustavo Kuerten, o Guga, tendo conquistado seu primeiro ponto em 95, com apenas 17 anos. Porém, só conseguiu furar o top 300 brevemente em 2000 e se firmou como um dos 300 melhores do mundo em 2001, com 23 anos. Figurou entre o 155 e 250 do mundo até 2004, quando um fato mudou sua carreira.

Os principais jogadores do país (Gustavo Kuerten, Flávio Saretta, Ricardo Mello e André Sá) boicotaram a Copa Davis em 2004, por não concordar com a dirigência da Confederação Brasileira de Tênis, então comandada por Nelson Nastás. Para o encontro com o Paraguai, foram então convocados Marcos Daniel, Júlio Silva, Alexandre Simoni e Josh Goffi. Por ter aceitado a convocação, Marcos Daniel entrou em confronto com a cúpula da nova diretoria da CBT e foi esquecido em algumas convocações futuras.

Algum tempo depois o gaúcho de Passo Fundo, que é primo do árbitro de futebol Carlos Eugênio Simon, afirmou que só aceitou a convocação pois estava sem dinheiro para continuar a carreira e já estava pensando em se aposentar e passar a dar aula para se sustentar. No Pan de 2007, inclusive, recebia tênis de Flávio Saretta, visto que estava sem patrocinador.

Se é verdade ou não que ele realmente iria parar, ninguém pode dizer, mas atualmente Marcos Daniel já acumula 770 mil dólares em premiação na carreira e, conforme observamos na Copa Davis em Sorocaba, seus pais desfilam de Audi.

Um dos maiores méritos de Daniel é sempre ter a noção de que seu tênis depende muito mais de trabalho do que do seu talento. Sua escolha de calendários é baseada em Challenger's e ATP's mais fracos, aonde consegue valiosos pontos para conseguir se manter entre os 100 melhores do mundo e garantir vaga nos Grand Slams, quando uma primeira rodada vale cerca de 20 mil dólares e uma eventual segunda rodada 30 mil.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Test Drive [K]Factor Six-one Tour

Já que o pessoal perguntou sobre a raquete do Federer, aí vai o Test-Drive.

Sempre fui fã da série Pro-Staff 6.1. Uso a nCode 6.1 tem 3 anos e pouco.

Caiu na minha mão para testar a "raquete do Federer". A K 6.1 Tour, com suas 340 gramas.

É simplesmente a melhor raquete q já caiu na minha mão. O sweetspot é pequeno. Para mim fantástico, para jogadores não-avançados não tem a menor condição de usar ela.

As 16x19 cordas fazem meu jogo chapado se combinar perfeitamente com o perfil "spin friendly" dela. Ou seja, a raquete dá um controle absurdo e posso jogar chapado ou com spin sem a menor dificuldade.

Na rede, local onde me sinto mais desconfortável, veio a melhor surpresa. Nunca voleei tão bem. Ela dá uma precisão fabulosa.

Em relação ao saque, no início senti q minha bola estava muito baixa. A única explicação q encontrei foi q a raquete era muito pesada e eu tava demorando a chegar lá em cima. Depois de umas 4 horas batendo resolvi esse problema lançando a bola mais alta. Em relação ao American Twist, nada a reclamar. Efeito gerado com muita facilidade.

Então eu devo trocar de raquete e pegar uma dessas, certo?

Errado. Na primeira batida meu cotovelo já tava reclamando. Depois da primeira hora, eram o pulso e o ombro.

Fiquei um dia batendo com ela. Nunca sento meu jogo tão bom. Em compensação, nunca senti tanta dor. No dia seguinte de manhã não conseguia estender o braço.

Resumindo. Raquete fantástica. Mas para o Federer. Para nós, mortais, muito pesada. Tanto q proibi a garotada q treina lá (12-14 anos) de testar ela.

Maior ponto positivo - Voleio

Maior ponto negativo - Peso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O saque

Dando seqüência aos nossos posts sobre iniciação ao tênis, vamos hoje começar a falar de um golpe tão complexo quanto importante para o jogo. O saque. Vamos dividir em algumas partes o movimento.

Para começar, o tema de hoje é o “toss”, ou lançamento. Parte importante e fundamental do saque. É impossível um bom saque sem um bom toss. Quando começo a ensinar o saque para os alunos, a primeira pergunta que faço é:

- Qual ou quais articulações eu uso para fazer o toss? A do ombro, do cotovelo, do punho, dos dedos ou mais de uma delas?

A imensa maioria costuma ficar na dúvida e quase todos respondem mais de uma articulação, sendo quase unanimidade a presença dos dedos.

Pois bem, para um bom toss é utilizada apenas a articulação do ombro. O movimento todo é feito apenas com ela. O braço começa estendido para baixo e termina estendido para cima, com a bola sendo lançada na altura dos olhos. A bolinha deve ser segurada apenas com o polegar, indicador e dedo médio e no momento de sua saída deve estar parada, dando para ler a marca enquanto sobe.

Alguns bons exercícios para o toss:
1 – Lance e recupere com a mesma mão, realizando a recuperação com o braço totalmente estendido no alto.
2- Lance e recupere com a outra mão, realizando a recuperação sem mexer as pernas e alcançando a bola no ponto mais alto possível.
3- Lance segurando duas bolas, objetivando utilizar apenas polegar, indicador e dedo médio e se esforce para ler a marca da bola.

Em breve voltamos a tocar no assunto saque, falando de altura de lançamento, do posicionamento do corpo e da ação da raquete.

Bons treinos!

Nosso amigo Sérgio mandou dois vídeos sacando, irei publicá-los aqui quando falarmos da posição dos pés. Quem quiser assistir é só procurar nos comentários.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Surpresas de final de ano

Hoje vou falar um pouco do circuito ATP, antes de voltar aos tópicos de instrução.

Com a proximidade dos últimos Masters Series da temporada, tradicionalmente aparecem as surpresas do final de ano no tênis mundial. Ano passado o argentino David Nalbandian venceu os Masters Series de Madrid e Paris e por muito pouco não alcançou vaga na Masters Cup.

Mas qual a razão dessas surpresas serem tão freqüentes? Simples. O calendário do tênis é altamente desgastante, começando na primeira semana de janeiro, o que não permite aos jogadores manter o mesmo nível durante toda a temporada.

Rafael Nadal, por exemplo, tradicionalmente joga muito bem do início da temporada de saibro até o final do torneio de Wimbledon. Esse ano o espanhol surpreendeu e manteve um nível alto até o momento, mas é muito difícil que mantenha no final do ano.

Novak Djokovic foi a sensação da temporada de quadras duras em 2007, mas caiu muito nos meses seguintes e foi o verdadeiro “saco de pancadas” no final do ano. Esse ano o nível do seu jogo já dá sinais de queda.

Roger Federer costuma manter-se em nível mais alto durante toda a temporada, mas isso tem um motivo. O suíço escolhe a dedo os torneios que vai participar, sendo o que menos joga entre os tops.

E esse ano? Haverá alguma surpresa? Quem poderia ser? Minha aposta imediata seria o francês Jo-Wilfred Tsonga, que sofreu uma cirurgia no meio do ano e voltou com tudo semana passada, conquistando o torneio de Bangkok. Porém, o francês partiu sem descanso para jogar em Metz, e isso pode comprometer seu desempenho em Madrid daqui a duas semanas. Outra possibilidade é o mesmo David Nalbandian, que voltou a jogar bem no primeiro jogo da semifinal da Copa Davis, mas vem mostrando problemas físicos, principalmente de peso.

Esse parece ser um ano onde as zebras têm menos chances de aparecer, mas eu não apostaria minhas economias nisso.

E vocês, em quem apostam para os Masters Series do final do ano?